Na sexta-feira, a Deus dou a semana que foi bacana, então eu Lhe agradeço por estar vivo e são, sem padecer nenhuma doença ou mal que por aí andam. Após falar ao alto, ao Pai Celeste volto os meus olhos, gratos, para o chão; o corpo pede e as pernas lhe obedecem lestas, a um bar me levam sem tardança. Antes de tudo, ao santo dou o dele (Deus lá no céu e o santo aqui na terra); rito cumprido, em tragos largos bebo uma cachaça velha de tonel. E me aconchego, ali, a uma morena em cujos braços, tonto, desagrego-me. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 08h28
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"De manhã o sol de chapa acalenta a minha pele". Folga um poeta, qual lagarto, bem deitado sobre os versos. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 09h10
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Se uma perna dói dizendo-me vivo a outra perna, bisca dança e faz remoques. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 08h49
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Soneto do Oco do Mundo.
O oco do mundo, é este o meu lugar; outro melhor não há, assim o creio. Neste lugar eu folgo os meus recreios que a grãos trabalhos tenho intercalado.
O oco do mundo é meu por privilégio Posso contar daqui o que entra e o que sai. Por não parar, jamais de calcular esse saber é a minha paga régia.
Se entra estudante no oco, o oco é colégio se sai avião dali, é um aeroporto se entra defunto, então, é um cemitério.
Às vezes, um pobre entra e sai reitor ou, inteligente sai e volta nédio. Do oco do mundo somos nós assopros.
Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 09h27
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Pensar e pensar sobre o pensar, sempre. Nunca dar tréguas aos não-pensamentos; sempre pelo sim, de fora ou de dentro no mais vital, genuíno movimento. Pensar e dar ao vento o que se pensa mais pelo prazer que traz tal sabença que pelo siso ou pelo entendimento. Seja o pensar a mola dos inventos. Pensar como quem sonha alegremente enquanto, a noite, dorme molemente ou, acordado, enquanto anda entre as gentes. Este pensar que imprime diferenças se o ar lhe sopra do acontecimento é o que me nutre, gozo e valimento. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 08h46
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Na fila o esmoler estende a mão, pede arrimo. Tilintam as moedas. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 14h24
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Sob azulíssimo céu na terra um homem caminha. Andam seus pés sobre a relva e sobre as nuvens suas cismas. Aproveita, homenzinho esses teus passos efêmeros; tu só existes entre as rimas quando um leitor vem ao poema. Não sei se é dita ou desdita aí no teu sentimento sempre esperar que te tirem dessa tua morte, o silêncio. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 19h05
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Mês 5, dia 9: na transparaná; lá do velho norte rumo à capital, que tarde de sol me morde, palavra! Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 18h51
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Com fome, na rua o poeta deseja o queijo da lua salgado de estrelas. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 21h01
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Lá do céu a lua mais alua aqui na terra a um poeta maluco. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 08h38
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Diz que um Zé Japiassu foi valente pra dedéu até aquele sururu que o mandou pro beleléu. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 08h52
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Sem saber quem sou sei saber de nada apenas se assopro um tal não-saber feito de nonadas. Com asas nos pés veloz é que eu vôo; asas-calcanhares vão contra o relógio. Vôo na incerteza sem saber, declaro o porquê da pressa. Não sei onde estou, não carrego mapas, o sopro me move. Só nesta incerteza toda feita de ar é que a vida eu levo. "Tu és um poeta", ouço no oco da palavras antes de ir-me embora. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 08h41
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A massa sonora possível no mundo vem a passarinho com seus pios e acordes. Suas carnes e penas seu esqueleto e sua alma; todo no biquinho, pipila este poema. Depois fica mudo e o retraga a massa. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 08h26
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Dia do trabalho moço, é todo dia. O que foi pioneiro hoje, é prisioneiro do tempo medido, dos baixos salários. O peso dos pianos nas costas do povo sempre galhofeiro, sempre sem dinheiro, sempre no sufoco ou na corda bamba. E, se algum reclama, faz ouvidos moucos o ex-bufarinheiro, dono do celeiro; o que, preguiçoso acumula os grãos. Um piano na sala deleita o homem rico. Ele, que é meeiro de esforços alheios, hoje, é o que mais ri; primeiro de maio. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 11h20
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A tua flauta, Pixinguinha dentro de mim algo acorda que, ao roçar aqui nas cordas aflora como poesia. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 09h22
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