Na José Loureiro com a João Negrão um homem no chão dorme entre os entulhos. Bem sobre o passeio, atrapalhando o trânsito na indisposição que causa aos transeuntes. Homem sem dinheiro quão triste te arranjas. Quão dura é a tua cama em meio ao monturo. Pensamento enleia-me e afeta o meu canto: pobre cidadão, há alguém que te cubra? E nesse rodeio palavra, tresando: pela situação, a quem cabe a culpa? Tal um costureiro teço então esta manta cujo pano estampa feia cena da urbe. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 17h46
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Esses dedos do pianista com uma aranha parecem sobre as teclas, saltitando. Forte assédio é a digidança que as palavras mal referem: devir aranha, poesia. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 19h37
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Fantasia.
Debaixo da escada, os piratas com seus tapa-olhos e cachimbos (alguns têm no ombro um papagaio) aos olhos de um bêbado, sorriem. Uma donzela sobe a escada, na descida, faz a faxina. Lascivos e libidinais os homens do mar a cobiçam: "Olha que racha, upa, a amá-la porque no mar raro se brinca". "Volvei os olhos, marujada", o bêbado não se intimida: "Essa aí tem macias carnes, porém, só comigo fornica. Só o meu marinheiro naufraga ali no mar da sua vagina". "Vedes aqui a ponta da faca sedenta por vossas tripas? Volvei ao mar, o, marujada se é que estimais as vossas vidas". Entanto, a rixa logo acaba quando a donzela irritadiça expulsa o bêbado do bar "some daqui pudim de pinga". Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 21h16
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O mar é dos peixes, aves são do céu; é da boca o beijo que o desejo pede. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 21h52
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No meu ofício diário, hoje preparo este molho feito à vinha d'alhos. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 11h54
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Halitose é dose. Olha para o lado e finge que não sente o bode. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 10h27
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As minhas pernas eu quero nesta força dos pedais próprios à vida que eu levo. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 16h49
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Fissura em portuglês.
(Colhida de uma pichação em caixa telefônica na cidade de Curitiba) On Jack tal back? Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 11h39
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Bate no bestunto: o que é sem remédio remediado está. Peita o poeta o assédio pespegando o assunto nestes pés de versos. Depois cai no mundo, e desaparece. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 13h20
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Mal veste o pijama deita-se e já dorme um piá bom de cama. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 21h27
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Com mil passarinhos vai tecendo a sua manhã um poeta-menino. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 07h20
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Permanente, o ruído do mar sobre as membranas auditivas o efeito faz deste acalmar-me. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 11h01
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Meia noite e meia; mal começa o dia já a lua alumeia noturnos caminhos. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 00h26
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No céu, um ogro fumarento engoliu o sol. O dia claro escureceu e, agora, venta; entre lufadas úmidas, a chuva arrosta enxarcando a crosta ressequida do poema. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 10h09
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Não fui não vi não ouvi não quero e se alguém disser em contrário eu nego. Navarro, o Dua.
Escrito por Navarro às 10h08
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